Para o Atlético voltar a ser do povo

O processo eleitoral de 2015 demonstrou a força da torcida do Atlético Paranaense. Revelou um enorme índice de insatisfação com a política do Clube. Foram meses e meses de preparação e debates visando a construção de alternativas para o cenário já conhecido da imutável (e fracassada) fórmula administrativa. Independentemente do resultado, tornou-se público o descontentamento de milhares de sócios atleticanos, representantes da torcida, com a sistemática implementada pelo Clube.

Em outras palavras, o resultado das eleições evidenciou a existência de um Clube fragmentado. Se a atual direção conseguiu reunir sócios suficientes para se manter na instituição, viu quase metade de seus contribuintes desagradados. Isso tudo sem falar no desagrado da esmagadora maioria dos atleticanos; aqueles que não possuem direito a voto e que se sentem cada vez mais excluídos pela política enraizada no Clube. A direção do Atlético Paranaense não é unanimidade. Há uma permanente insatisfação da torcida, e isto se reflete a cada partida realizada. As vitórias acalentam nosso sofrimento, tornam temporariamente adormecido o dissabor, mas de modo algum são aptas a eliminar a permanente frustração pela qual todos passamos já há tanto tempo.

As medidas de desprestígio e desestímulo cada vez mais recorrentemente adotadas são a marca registrada dessa gestão. O desrespeito pelo torcedor é incompreensível! E o já conhecido descaso com o futebol, atividade que deveria ser o fim último do Atlético Paranaense, revela-se cada vez mais evidente.

A falta de entusiasmo que as irresponsáveis medidas da direção geram na torcida e os prejuízos daí decorrentes para o próprio Clube são inadmissíveis. Há circunstâncias que precisam ser imediatamente revistas, para o bem do Atlético que todos nós conhecemos.

Diante de todos esses fatores, da ausência de perspectiva de qualquer mudança, e da permanente obscuridade na condução dos trabalhos por essa gestão, o Movimento Atlético de Novo resolveu dar início ao processo de convocação de uma Assembleia Geral de Sócios, alternativa prevista no Estatuto do Clube Atlético Paranaense (art. 44, inc. III). Com esteio no art. 46, ‘c’, do referido regramento, pretende-se a convocação do quadro associativo para deliberar a respeito da seguinte pauta:

(1) Afastamento da torcida e consequente elitização do clube. A Arena da Baixada apresenta uma média de ocupação de apenas 37% nos jogos do Campeonato Brasileiro, sem qualquer perspectiva de prospectar torcedores mediante a venda de ingressos a preços mais acessíveis para setores abandonados. Assim, propor-se-á a retomada do plano de sócios mais popular, com valores de até R$100,00, e carga proporcional de ingressos acessível de até R$50,00 – no mínimo, para o setor Buenos Aires Inferior;

(2) Falta de planejamento e foco em futebol. O clube abriu mão de jogar em seu estádio o jogo mais importante do ano para sediar um torneio de voleibol, e semanas depois foi eliminado da Taça Libertadores da América. Considerando a natureza do Atlético Paranaense e sua construção obrigatória em torno do futebol (art. 2º, par. único, do Estatuto), propor-se-á que se delibere pelo impedimento definitivo da realização de qualquer evento no Estádio Joaquim Américo (“Arena da Baixada” ou “Estádio Atlético Paranaense”) em data que conflite com jogos em que o Atlético Paranaense figure como mandante, assegurada a inserção de cláusula nesses termos em eventuais contratos para shows e quaisquer outros eventos recreativos ou esportivos a serem firmados pelo Clube em data ainda sem previsibilidade de jogos;

(3) O estádio Joaquim Américo cinza fere a alma e a história do Atlético Paranaense, além de não ajudar no marketing do próprio clube. Diante disso, propor-se-á a realização de adequação do Estádio para as cores do clube de todas as formas possíveis, incluindo cadeiras e toda sua estrutura;

(4) A biometria foi implantada a pretexto de conferir segurança aos sócios, mas o modo de sua concepção revelou se tratar de mais um instrumento de desestímulo aos associados: o Clube compromete a própria receita ao limitar o repasse de cadeiras para terceiros, e não incentiva novas adesões. Propor-se-á que os sócios possam dispor livremente de seus assentos, afastando-se toda e qualquer limitação, impondo-se como condição para acesso ao Estádio que o torcedor esteja cadastrado no sistema biométrico do Clube – o que poderá ser feito por qualquer cidadão, sócio ou não, até momentos antes da partida, e que esteja munido de um smartcard ou ingresso avulso;

(5) A festa da torcida na Arena da Baixada acabou. O “fator casa” já não existe mais, e os resultados medíocres obtidos no Campeonato Brasileiro confirmam tal circunstância. O despropósito das medidas é tal que o Clube se dispõe a liberar instrumentos e alegorias até mesmo para o Paraná Clube, em nosso campo sem nenhuma das medidas impostas contra o torcedor atleticano. Dentro desse cenário, propor-se-á em Assembleia a liberação de todos os adereços e instrumentos das torcidas organizadas (bandeiras, faixas e bateria), para que o Estádio volte a ter os traços que tornaram o Atlético Paranaense temido pelos seus adversários;

(6) A Câmara de Ética do Clube atua de maneira inquisitória, e tem se revelado um instrumento de perseguição (e punição) de atleticanos que discordam da direção. Um exemplo recente dessa postura foi a expulsão do ex-Presidente Marcos Augusto Malucelli, mantida em instância recursal pelo Conselho Deliberativo. A medida não só foi desproporcional, como também contrariou entendimento adotado pelo Poder Judiciário, que meses antes fixara entendimento pela absolvição do ex-Presidente atleticano pelos mesmos fatos discutidos internamente no Clube. Independentemente das valorações que foram feitas quando do julgamento dos processos, considerando a gravidade da sanção imposta ao ex-Presidente e o precedente jurisprudencial favorável a ele, propor-se-á a anulação da penalidade de expulsão a ele atribuída, admitindo-se a sua imediata reintegração ao quadro associativo;

(7) As dívidas contraídas para construção do estádio são imensas e desconhecidas dos torcedores. Ao que se tem notícia, o principal patrimônio do Clube (Estádio e Centro de Treinamentos) está constrito como garantia de execuções movidas em face da sociedade constituída para administrar as obras para a Copa. Assim, e como dever de transparência, propor-se-á que o Clube torne público em até 10 dias a real situação das contas pós Copa do Mundo, e indique (a) quais os planos para quitação das dívidas com o poder público e (b) a real situação dos bens do clube que foram dados como garantia para a construção da Arena da Baixada – e, se constritos, qual a perspectiva de sua regularização.

Uma gestão que age no interesse exclusivo de seu comando, sem comprometimento com sua torcida e suas promessas de campanha, e que desrespeita as finalidades precípuas do Clube, não possui legitimidade representativa – notadamente numa nação de mais de 1 milhão de atleticanos.

Há um verdadeiro regime ditatorial implementado no Atlético Paranaense, cujas características se amoldam a qualquer definição científica e filosófica. Impor a vontade da (relativa) maioria sobre a de todos os outros não se confunde com a noção de democracia. E a história faz questão de deixar isto claro. O regime democrático foi concebido a partir dos ideais de soberania popular. E esta soberania se identifica pela vontade da maioria, mas com respeito à de todos os demais. A fragmentação que hoje existe no Atlético Paranaense deveria servir de incentivo aos gestores para revisão de seus conceitos com vistas a atingir o bem comum, e jamais para criar mecanismos persecutórios e de repressão por conta da discórdia.

O Atlético Paranaense precisa voltar para os braços de sua torcida. O Atlético precisa voltar a ser Atlético. De Novo.

Locais de coleta de assinaturas a partir do dia 05 de outubro (logo anunciaremos novos endereços): Arena Bar – Rua Brigadeiro Franco (nº 3003), no bairro Água Verde. De segunda a sexta, das 11h30 às 14h30; de terça a sexta, das 18h às 23h30; e aos sábados, das 12h às 23h. Torcida Os Fanáticos – Rua Doutor Pedro Augusto Mena Barreto Monclaro (nº 571), no bairro Água Verde. De terça a sábado, das 13h às 18h.